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MUSEU DA PRAIA

Notícia Postada em 20/11/2009
Um Espaço Para Exposições Temáticas na Praia do Diabo, Com Lugar Para Apreciar a Vista do Arpoador e Tomar Um Café
Temos visto, impotentes, nossa cidade ser aviltada nestes últimos 40 anos, sempre em nome de interesses mesquinhos e populistas. Nunca entendi as idiotices que os políticos faziam com o Rio, cidade mais especial do planeta. Cheguei a pensar em mudar de país, ir embora. Mas as Olimpíadas e a Copa trouxeram um certo otimismo.

É a nossa chance, a última. E quando eu penso em Rio, eu penso na vocação natural da cidade. Ela nasceu pra brilhar, pra seduzir, pra fazer rir, pra apaixonar, pra fazer as pessoas baterem palmas pro pôr do sol. O meu Rio, o dos meus sonhos, é o maior balneário turístico do planeta, lotado de risonhos estrangeiros embasbacados com nossas praias e nosso astral. Gastando rios de dinheiro aqui, gerando muita renda e muito emprego. Não tem como errar. É a nossa vocação.

Quando eu era moleque, brincava no Arpoador de polícia e ladrão e costumava me esconder atrás de uma construção que ficava na Praia do Diabo. Era uma bela agência dos Correios, que foi criminosamente demolida na década de 90. Sobrou só o piso. Penso que seria incrível reerguer naquele mesmo local uma galeria, um pequeno Museu da Praia. Somos os bambas da música, mas também da praia. Exportamos estilo e comportamento pro resto do mundo. Somos autoridades no assunto, e isso gera riqueza porque moda é um negócio bilionário.

Pensei como seria interessante atrair as pessoas para aquele canto da praia, caminhando, pra ver as mais diversas exposições retratando nosso caso de amor com a areia e o mar. Isso reforçaria ainda mais nossa “expertise”. Algumas exposições que gostaria de ver: “A evolução do traje de banho através das décadas”, “As dunas do barato”, “Copacabana antes do aterro”, “Rio da bossa nova – Tom e João vão à praia”, “As garotas de Ipanema”, “1982, o verão do Circo Voador”, “A Tropicália vai à praia”, entre outras.

Aquele cantinho maravilhoso anda bem abandonado e precisa ser revitalizado. Exposições permanentes atrairiam turistas e moradores. E se o nosso museu da Praia, como acontece no mundo civilizado, oferecer um lugar gostoso pra se tomar um drinque ou um café, está feito o programa. As pessoas vão ficar por ali apreciando o visual depois de ter absorvido um pouco mais da nossa cultura.

Como este espaço é limitado, foquei no Museu da Praia, uma idéia que me encanta faz tempo, mas na verdade tenho muitas idéias pro Rio. Pensei também como seria legal transformar a cidade numa capital mundial do surfe, colocando vários fundos artificiais pela orla. Imaginei também como seria bacana levar para as favelas da Zona Sul um centro formador de mão de obra para atender a demanda turística. Porque não adianta pensar a cidade sem levar em conta a necessidade urgente de inserir a população de baixa renda, que precisa de dignidade e perspectiva de futuro pra poder receber os turistas de braços abertos.

Fred DOrey – Diretor de criação da Totem
http://oglobo.globo.com/blogs/rionacabeca/


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